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É controvertida a origem do vocábulo Catumbi. Para Brasil Gérson, autor da monumental ‘História das Ruas do Rio de Janeiro’, significa, na língua dos índios, rio sombreado, designando o riacho que, descendo das encostas setentrionais do morro de Santa Teresa, vinha desaguar na extensão pantanosa do mangal de São Diogo. O Aurélio e o Houaiss oferecem, calcados no dicionário de Antenor Nascentes, a formação tupi caá + tumbi, com o significado de folha (ou mato) azul. Ainda no Houaiss, é lembrada a interpretação de Teodoro Sampaio para o termo indígena que significaria ‘ao pé do monte’ ou ‘à beira da mata’. Nei Lopes, também segundo o Houaiss, alerta para a semelhança com o vocábulo bantu cucumbi, que descreve um tipo de dança e um jogo de azar, ambos chamados também catumbi em várias regiões do Brasil. Para Agenor Lopes de Oliveira, autor da Toponímia Carioca (Coleção Cidade do Rio de Janeiro. Prefeitura do Distrito Federal. Secretaria Geral de Educação e Cultura. 1935), Catumbi seria uma corruptela de catú-huú-ybyi, ou "atoleiro muito fundo", formado pelos elementos catú - "muito", huú - "lameiro, lodo, detritos" e ybyi - "oco, côncavo, seco". Parece claro que a palavra africana é distinta do termo indígena, tanto na origem como no significado, sendo confundidos apenas pela semelhança fonética. E também que o tupi, na maioria das interpretações, designa precisamente o ambiente encontrado pelos primeiros colonizadores a explorar o entorno do núcleo fundador de nossa cidade, situado à volta da atual Praça XV, no litoral que liga o morro de São Bento à ponta do Calabouço. Um vale úmido, sombreado, era o que os portugueses, africanos e indígenas assimilados à nascente vida urbana encontravam ao afastar-se da cidade pelos caminhos de Capueruçu (correspondente ao traçado das atuais ruas da Alfândega, Moncorvo Filho, Frei Caneca) ou de Mata-Cavalos (Rua do Riachuelo), que se encontravam na Lagoa da Sentinela. A partir deste ponto, seguindo o antigo traçado da rua Frei Caneca, o acesso às terras que mais tarde viriam a ser chamadas de Engenho Novo, São Cristóvão e Andaraí, fazia uma acentuada curva para a esquerda, demandando o vale e, sobretudo, evitando o terreno pantanoso dos mangues. Passado o riacho do Catumbi, o caminho retomava sua direção, correspondendo ao trecho da Rua Frei Caneca situado fronteiro ao presídio. Logo após a lagoa da Sentinela, marcando a chegada a esta região, tão dadivosa em águas foi instalado, no século XVIII, o chafariz grande do Catumbi, hoje situado em frente ao quartel-geral da Polícia Militar, seguido de perto pelo chafariz do lagarto, obra prima do mestre Valentim, oferecido pela prefeitura ao ‘povo sedento’. Passando ao largo das delimitações legais, que por várias vezes alteraram os limites do bairro, consideraremos pertinente ao Catumbi e sua história, a partir do chafariz grande, toda a região do vale do Catumbi, as encostas dos morros que o circundam: Paula Matos, Coroa e Santos Rodrigues. Neste espaço geográfico buscaremos traçar um painel do ambiente urbano e da vida cultural no passado e no presente. |
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Criação:
Chico Lima e Raul Felix Desde:
04/2004 Atualizado
em:
21/07/2006
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